Bretton Woods, padrão-ouro e oferta de moeda

A economia monetária se mostra como uma grande articuladora de recursos dentro do cenário econômico globalizado. Para entendermos essa importância, não podemos deixar de citar o Bretton Woods e suas implicações.

De forma sucinta, o Bretton Woods foi um acordo realizado entre as maiores economias do mundo em 1944, onde a maior resolução do tratado foi a de que o dólar se tornaria a moeda oficial de troca do planeta. As grandes motivações desse acordo foram as destruições promovidas pela segunda guerra mundial e a configuração dos Estados Unidos como maior potência do mundo e sua capacidade de se tornar credor da reconstrução dos países europeus.

No momento, o dólar era atrelado ao ouro, política monetária denominada padrão-ouro. Isto significa que cada nota de dólar correspondia a uma quantidade de ouro físico, podendo ser inclusive trocada por pessoas físicas nos bancos. O ouro era usado como lastro devido à sua escassez, embora não tão escasso como outros metais preciosos, seu valor intrínseco como metal apreciado e sua rigidez. Tal política monetária é extremamente interessante para conter grandes flutuações do valor da moeda (inflação e deflação) e apesar de algumas críticas infundadas de que a quantidade de ouro do mundo não seria suficiente para o estabelecimento desta política nos dias de hoje, essa questão seria resolvida pela teoria quantitativa da moeda, onde aumentaria-se a velocidade da circulação da moeda na economia para resolver esse problema (ao invés dos salários serem pagos mês a mês por exemplo, seriam pagos de 10 em 10 dias).

Em 1971, o presidente americano Richard Nixon desatrelou o dólar ao ouro, fazendo com que a moeda não possuísse mais mecanismo algum de sustentação, se tornando papel puro e simplesmente, cujo valor sustentava-se apenas na credibilidade internacional. Ou seja, um pedaço de papel passou a ser visto como mercadoria em si mesmo, conceito tratado brilhantemente por Karl Marx, quando este trata da visão de que alguns títulos no capitalismo são negociados como mercadoria.

O fato é que já em 1971, inúmeros bancos centrais ao redor do mundo possuíam reservas em dólar, assim como empresas importadoras e exportadoras, tesouros nacionais, enfim, o dólar já tinha sido estabelecido como moeda de troca internacional, mas os seus detentores não poderiam mais resgatar o ouro dos títulos que compraram pelo lastro pré-existente.

Tal atitude política dos Estados Unidos, possibilitou a oferta de moeda americana para superar a crise de 2008 (em termos leigos seria como uma impressão de papéis de dólar utilizando a impressora do FED). Quando se trata de uma moeda utilizada por poucos países, a oferta de moeda é uma política monetária que acelera o consumo de recursos dando poder de compra à população, provocando inflação apenas quando os estoques se esgotam. Como o dólar é uma moeda internacional, a inflação foi além das fronteiras continentais americanas e atingiu todo o globo, inclusive governos africanos cujos governos ocidentais criticam.

Cabe aos Estados Unidos rever essa política e evitar ações desse tipo no futuro para que não prejudique outras economias.

 

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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