Individualismo, coletivismo e bem-estar

O individualismo baseia-se principalmente na idéia de que o bem estar coletivo só pode ser alcançado quando os direitos individuais são preservados, já o coletivismo afirma que o bem estar do grupo deve sobrepor os direitos individuais.

Entre os economistas, o individualismo é muito defendido pelos de direita, os quais acreditam que políticas sociais devem partir somente da iniciativa dos indivíduos, enquanto que os de esquerda defendem maior imposição de impostos que contribuam para a sociedade como um todo.

Aproveito para exemplificar os dois pontos de vista com duas analogias que escutei. A de Benjamim Franklin, defendida pelos liberais, afirma que na democracia, dois lobos e uma ovelha definem o que irão ter para o jantar, o voto da maioria presumidamente seria que a ovelha seria jantada, mas caso os três estivessem fortemente armados, a resolução seria outra, e haveria união dos três em busca de outra alternativa de refeição. Esse exemplo pode ser comprovado em alguns momentos da história onde povos menos expressivos foram exterminados por governos autoritaristas.

A outra analogia, seria a de uma alcatéia onde dois lobos irracionais sairiam à caça de uma refeição, havendo também uma ovelha, sendo que um lobo investiria somente à direita, e outro à esquerda, impossibilitando qualquer reação da ovelha. Ao analisar esse contexto, independentemente de sua origem, chego à conclusão que as investidas irracionais gananciosas individuais sacrificariam a ovelha da mesma maneira, sendo que o modelo capitalista em si atribui a condição de lobo aos detentores de grandes fortunas e a condição de ovelha aos providos de pouco capital.

Ao refletir sobre esse tema recentemente, proponho uma forma de equilíbrio entre o individualismo e o coletivismo. É necessário que os dois maiores agentes que compõem a economia (governos e instituições financeiras) se equilibrem e se limitem, a existência do compulsório pelo banco central por exemplo limita o poder dos bancos, e da mesma maneira o Estado não pode se inchar ao ponto de sufocar as iniciativas de livre-mercado. O mais importante é basear a economia na produtividade, favorecendo a produção real na economia, que são as empresas produtivas. Neste cenário, ambas as suposições não ocorreriam, e a ovelha não seria vitimada. É necessário lembrar que na formação de uma sociedade onde a pobreza é considerável, índices de violência e outros problemas sérios aumentam, prejudicando a todos, enquanto que uma forma de bem estar coletivo que respeite valores básicos individuais, seria benéfica à toda população.

Combatendo o egoísmo em ambos os pontos de vista, chegaremos a uma sociedade mais livre, justa e desenvolvida.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

4 comentários

  1. Sua premissa de que o individualismo baseia-se na idéia de que “o bem-estar coletivo…” é no mínimo mal representada. Individualismo parte do princípio de que indivíduos não possuem justificativa moral para iniciar um ato de agressão contra outro, por mais nobre que seja a intenção dos agressores. Sociedade, coletivo, e etc… são considerados termos muito subjetivos para serem de fato compreendidos. É por isso que Margareth Thatcher disse: “Sociedade não fala, sociedade não pensa, sociedade não age, sociedade não deseja nada e não constroi nada… Apenas o indivíduo é capaz destas coisas.”

    Quando se fala de “bem coletivo” a pergunta que fica é: que bem é este? E quem é o coletivo? Indivíduos são os únicos capazes de decidirem o que é melhor para si, e é neste entendimento que eles, de maneira voluntária, se interagem.

    Você menciona “ganância” e “egoísmo” como se estes fossem sentimentos a serem exterminados. Qualquer tentativa de ignorar a natureza humana resulta em autoritarismo por parte daqueles que se vêem como os capazes de planejar a complexa vida de milhões. Eu termino com o que foi dito por Friederich Hayek: “A curiosa tarefa do economista é demonstrar aos homens quão incapazes eles de fato são a respeito do que eles imaginam serem capazes de planejar.”

  2. Obrigado por mais uma réplica valiosa Saul, suas contribuições acabam sempre por lapidarem a minha forma de pensar e são muito bem vindas. A legislação em si é um exemplo de expressão da sociedade e os acontecimentos também. Nesse ponto então não concordo com Thatcher, coletivo seria a soma de todas as iniciativas individuais. Ambição só é boa quando é justa, ganância e egoísmo desenfreados são provavelmente as maiores causas das injustiças. Por mais que a iniciativa privada seja mais eficiente na produção de bens do que a iniciativa pública, é no compromisso público com os valores mais importantes a serem prezados pela sociedade que as lacunas dos sentimentos mais baixos dos seres humanos conseguem ser preenchidas.

  3. A legislação é o produto do legislador, não da sociedade, pois como eu disse anteriormente, sociedade é incapaz de agir. Sociedade é um termo subjetivo para categorizar uma idéia. A legislação que busca, através da agressão, organizar a sociedade, é vista como uma perversão da própria lei. Friederic Bastiat escreve em 1850: “Se a lei organiza a justiça, os socialistas perguntam por que a lei não organiza também o trabalho, a educação e a religião. Por que a lei não é usada com tais propósitos? Porque ela não poderia organizar o trabalho, a educação e a religião sem desorganizar a justiça. Devemo-nos lembrar de que a lei é força, e, por conseguinte, o seu domínio não pode estender-se além do legítimo campo de ação da força. Quando a lei e a força mantêm um homem dentro da justiça, não lhe impõem nada mais que uma simples negação. Não lhe impõem senão a abstenção de prejudicar outrem. Não violam sua personalidade, sua liberdade nem sua propriedade. Elas somente salvaguardam a personalidade, a liberdade e a propriedade dos demais. Mantêm-se na defensiva puramente e defendem a igualdade de direitos para todos.”

    Quando você diz: “Soma de todas as iniciativas individuais” e “compromisso público”, tais termos são incapazes de expressar qualquer idéia de forma direta. Vou deixar um trecho de Ayn Rand: “Como não existe tal entidade denominada “o público”, já que o público é apenas um número de indivíduos, qualquer conflito, reivindicado ou implícito, do “interesse público”, com interesses privados significa que os interesses de alguns homens devem ser sacrificados aos interesses e desejos de outros. Uma vez que o conceito é tão convenientemente indefinível, seu uso se baseia apenas na capacidade de qualquer gangue proclamar: “O público c’est moi!” e manter tal reinvidicação sob a ponta de uma arma.”

    “Existem dois lados para cada questão: um lado certo, e um lado errado. Mas o meio é sempre perverso.” Ayn Rand

  4. Recomendo a leitura do conceito de sociedade, a polícia não deve ser usada para preservar a propriedade privada? Porque esse valor é supra valorizado no capitalismo em detrimento da fome por exemplo? Até onde o policiamento deve ir? O conceito de justiça de Bastiat me parece bem individualista. Postei agora há pouco sobre essas questões que estamos discutindo no artigo sobre as ideologias do comunismo e do liberalismo tenderem ao anarquismo.

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