Aumento dos gastos públicos não vinculados ao acréscimo de riquezas

A economia pode ser comparada a um organismo vivo, possuindo células menores como as decisões financeiras individuais, partindo para camadas de decisões familiares, corporativas, municipais, estaduais e nacionais.

No estudo das finanças públicas, pode-se fazer uma analogia entre atitudes tomadas por empresas e tomadas pelo Estado. No dia 2 de junho, a câmara aprovou uma lei que permitiria ao poder público conceder aumentos de salários, bem como a criação de novos concursos nos próximos anos. Nesta analogia, o Estado, como corporação, estaria aumentando os gastos com sua folha de pagamento e prevendo um aumento no quadro de funcionários em um período onde a receita não está sendo suficiente para cobrir nem ao menos os gastos já existentes. A justificativa para o aumento destes gastos é a de que os aumentos supracitados foram negociados entre sindicatos e o governo Dilma antes do estabelecimento do governo Temer.

Me desviando da análise política dessa situação, a qual não é o objetivo deste blog, pela perspectiva do estudo econômico não é necessário ser um grande conhecedor de finanças para saber que aumentar gastos que não geram qualquer receita em tempos de crise é uma atitude completamente equivocada.
Analisando o produto interno bruto (PIB), os gastos do Governo fazem parte da equação, e ao contrário da poupança, geram um aumento provisório no resultado final. No caso destes gastos, este aumento seria somente relevante para os anos em que a “folha de pagamento” fosse ampliada e acrescida.

É necessária uma mudança de cultura por parte do governo ao lidar com gastos sociais, iniciativas que procurem beneficiar a população aumentando também a produtividade gerariam um aumento de riquezas para o país. Como exemplo, ao invés de simplesmente conceder terras para reforma agrária, o governo poderia prover a terra e uma casa simples a uma família que as conquistaria após alguns anos de trabalho, e caso o trabalhador não queira comprar a casa e o pedaço de terra, que uma parte menor do salário seja descontada da atividade dele, à exemplo dos kibutz em Israel.

Naturalmente essa abordagem não se estende aos gastos com segurança pública e execuções das funções legislativas e judiciárias por exemplo, por serem atividades de estrita manutenção dos direitos naturais dos cidadãos.

As sugestões aqui feitas necessitariam de lapidação e análise prática, mas o conceito de solidariedade com enfoque produtivo é sobremaneira válido.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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