Pressões dos bancos sobre a taxa SELIC. Entenda CDI, Renda Fixa, Fundo DI e Spread bancário

Retomando a análise das diferentes pressões sofridas pelo presidente do banco central ao determinar a taxa básica de juros (taxa SELIC), nesta publicação trataremos dos interesses dos bancos explicando também o que são os títulos CDI, Fundos de renda fixa e DIs.
Como tratei anteriormente, os empréstimos interbancários são aqueles em que um banco empresta dinheiro a outro banco por 1 dia utilizando títulos públicos como garantia para cobrir o valor do compulsório exigido pelo banco central. O Bacen também age comprando e vendendo títulos públicos dos bancos no chamado mercado aberto, quando o banco central compra um título (diminui a taxa de juros), ele reduz a quantidade de títulos públicos no mercado fazendo com que os bancos negociem entre si por juros mais baixos, fazendo com que eles também queiram pagar menos às pessoas físicas nos investimentos ofertados por eles (se eu pago juros menores a bancos ao pegar emprestado, para ter lucro preciso pagar menos a quem está me emprestando, pessoas físicas). Pagando menos juros, as pessoas passam a recorrer a outras formas de investimento, como a bolsa de valores.
Outro aspecto da compra de títulos por parte do banco central é que a liquidez maior entre os bancos lhes permite emprestar mais dinheiro à pessoas físicas, mas como os títulos bancários estão menos atrativos, essa vantagem não é significativa.
Quando um banco não alcança os 28 porcento do valor dos depósitos exigidos pelo Bacen(compulsório), ele pode recorrer a um empréstimo interbancário, ao redesconto, e a uma terceira alternativa, não citada ainda neste blog, denominada Depósito Interbancário (CDI).
Os CDIs são títulos que servem de garantia de pagamento por um empréstimo realizado entre bancos que não possuem o limite de 1 dia como no caso do empréstimo interbancário. Simplificando ainda mais, um banco pega empréstimo com outro por uma data estabelecida entre os dois e entrega um papel como garantia de que irá pagar. A cotação do CDI é sempre quase idêntica à da taxa Selic por uma questão de arbitragem (se um banco estiver pagando menos juros que o governo, o banco que deseja ofertar o empréstimo poderia recorrer a um título do governo, que é mais seguro, ao invés de recorrer a este banco), isso faz com que independentemente das alternativas, os juros das negociações entre os bancos seja sempre o estabelecido pelo banco central.
A interação entre os bancos e pessoas físicas, quando bancos desejam contrair empréstimos de pessoas comuns, se dá através de três tipos de títulos. Poupança: o banco paga 0,5% + taxa TR (Taxa Referencial, baseada na taxa Selic). É importante saber que a poupança é regulada pelo governo e imposto de renda não incide sobre ela.
Renda Fixa: o banco investe em títulos públicos ou privados e adiciona uma taxa pré-fixada. Como o banco é quem determina essa taxa, o spread bancário é maior (spread bancário é a diferença entre o valor que ele paga pelo dinheiro e o montante que ele recebe).
Fundos DI: O banco investe em títulos públicos com taxas pós-fixadas, que é o caso dos títulos LFT.
O importante é que se entenda que para os bancos o lucro é menor quando as pessoas recorrem à poupança, e entre os títulos oferecidos por ele, a poupança é o mais atrativo quando a taxa Selic diminui.
Portanto, em todos os momentos os bancos irão querer que a taxa SELIC aumente, e pressionam o presidente do banco central a tomar essa iniciativa.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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