Petrobrás: efeito tesoura de Fleuriet, exemplo de péssima gestão Estatal

A Petrobrás deixou de ser empresa de orgulho nacional para se tornar motivo de vexame internacional. É um exemplo clássico de que governo e produtividade não combinam. O Estado deve intervir na economia somente para regulação (na geração de transparência dos mercados ineficientes e combate à usura por exemplo) e prover saúde, educação e condições mínimas para que TODOS tenham a oportunidade de prosperarem quando a iniciativa privada ainda não conseguiu suprir essas carências da sociedade. As políticas sociais de que trato aqui devem ser feitas através de parcerias com a iniciativa privada, fazendo o que eu chamo de assistencialismo produtivo.

Acompanhei na bolsa os anos doutorados da empresa, dobrando capitais anualmente durante o governo do FHC, em um país que finalmente havia controlado a inflação e tinha um presidente que simpatizava com a liberdade econômica. Gostaria de citar três medidas do governo do PT que destruíram a empresa, são elas:

Agência reguladora do pré-sal: O mercado é completamente averso a empresas que são utilizadas para políticas sociais, essa agência foi criada no mesmo momento em que a Petrobrás lançou novas ações no mercado. Na época eu entendi o jogo logo de cara, e sabia que o mercado não responderia bem, privatizariam um pouco da empresa mas a controlariam através dessa agência.

Obrigatoriedade de exploração de 30 porcento dos projetos de pré-sal: Existe uma teoria financeira criada por Fleuriet que trata do efeito tesoura, que de forma simples afirma que quando o capital de giro da empresa é menor do que os valores que ela está investindo, ela passa a pagar para trabalhar. A Petrobrás foi ficando sem dinheiro em caixa para assumir todas as obrigações das atividades que o governo lhe impusera, e para que ela pudesse cumprir a lei lhe era necessário assumir financiamentos (dívidas). Os custos desses financiamentos, ou seja, os juros dos empréstimos, se tornaram maiores do que os lucros da empresa com as explorações de pré-sal.

Nomeações políticas a cargos na empresa: o comentário do Lula de que poderia se tornar presidente da empresa quando saísse da presidência da República me causou enorme indignação na época, foram avanços como este dos tentáculos do governo sobre a empresa que geraram as notícias dos inúmeros casos de corrupção que acompanhamos hoje nos jornais.

A conclusão que tiro disso tudo é a de que o governo não foi feito para explorar petróleo.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

Um Comentário

  1. Concordo plenamente com sua avaliação.Vem de encontro a tudo que penso sobre governança.
    Acho até que o estado não deve ser “dono” de coisa alguma.No máximo manter as agencias reguladoras, porém sem interferência política .

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