Liberalismo ou Ideologia da Usura? Saiba o que os liberais realmente defendem

Tratei sobre a minha visão acerca do liberalismo e do comunismo na publicação onde comparo ambas as ideologias afirmando que estas idealizam um mundo perfeito onde nenhuma regulação seria necessária.

Vamos supor que o pseudo estudo da economia fornecido por pensadores defensores do liberalismo se tornasse realidade hoje, esse mundo teria as seguintes características:

Bancos poderiam emprestar todo o dinheiro não sacado por clientes à juros definidos pelo mercado, no mundo fantástico do liberalismo a lei de demanda e oferta entre a quantidade absolutamente PEQUENA de bancos faria com que esses juros fossem baixos.

Todos teriam uma segunda profissão que seria a de leitor de contratos, e acredite, estes se tornariam cada vez maiores. Como todos os seres humanos têm a total responsabilidade pelos acordos que fazem e o Estado não deveria regulá-los, imagine um contrato de telefonia celular que estabeleça uma multa de 100 porcento do valor da conta por dia caso você não pague sua conta em dia. Os liberais argumentariam: as empresas de telefonia celular que fizerem isso perderiam clientes. Contra argumentando, então os juros cairiam para 10 porcento ao dia, e já que a quantidade de empresas de telefonia celular é pequena também, não imagine que a multa será barata.

Fundos de investimento com codinome ÔMEGA que investem em títulos IMOBMAXUNIVERSAL171  cujo discurso dado aos clientes seria: o rendimento médio mensal é de 5 porcento ao mês e este fundo investe em títulos mesclados do mercado imobiliário, quando na verdade, usando o exemplo da crise do subprime, seriam dívidas de 30 anos de uma quantidade considerável de ex trabalhadores que resolveram comprar um monte de casas para viverem dos aluguéis destas e pararem de trabalhar. Não se esqueça, por detrás destas dívidas, haveria uma cadeia de seguradoras financeiras à perder de vista, as quais não saberiam e nem sequer se importariam com quais títulos estariam assegurando (quando a nova bolha explodir a gente muda alguma coisa). Um liberal questionaria: Mas a Fannie Mae e a Freddie Mac tinham suporte do governo, minha resposta seria: E se não tivessem, não seria sustentável essa prática até a próxima crise sistêmica? Se a sua resposta for não, peço que passe a ler somente blog de liberais e não perca seu tempo estudando a economia e a sociedade.

A bolsa de valores, que já é o cassino mais legitimado do mundo, teria uma relação ainda menor com a realidade. As empresas que de fato produzem, teriam suas ações diminuídas em comparação com empresas que mascaram seus balanços contábeis.

O mundo idealizado pelos liberais tem nome e já ocorre bastante nos dias atuais, chama-se Regime de Acumulação Financeirizado, estudado e caracterizado por François Chesnais sob a influência de Karl Marx. Esse economista, que não aprendeu economia em buteco, previu a crise de 2008 muito antes dos liberais.

Economia não é botequim, onde depois de uma conversa de meia hora sobre liberdade a pessoa acredita que o Estado deve cuidar só de segurança e propriedade privada (imposto só se for para proteger meu patrimônio) e deixar a proliferação do sistema financeiro baseado em juros dominar completamente o mundo. Qualquer semelhança destas características com a crise de 2008 não é mera coincidência.

Não estou defendendo comunismo de maneira alguma, trocar a tirania dos juros pela Estatal improdutiva não resolveria nada. O Estado deve sim, limitar as ações do mercado, assim como a população deve limitar a ganância Estatal.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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