Porte de armas: um direito de todo adulto sem ficha criminal

O congresso está votando uma lei que flexibiliza o porte de armas no Brasil. Acompanhei por anos debates nos Estados Unidos acerca do tema, bem como tenho diversos amigos americanos que possuem armas em casa porém nunca as usaram senão para treinamento de uso.

Sob a ótica econômica, o crescimento da indústria de armamento geraria empregos, contribuiria para a sociedade com impostos, combateria o tráfico ilegal de armas, além de outros benefícios comuns a todas as indústrias legitimadas.

A análise dos aspectos sociais do tema é muito mais complexa, levantarei alguns pontos que considero fundamentais para uma análise mais abrangente do que a visão simplista de que armas são contra a paz, a paz é boa, logo armas são ruins.

De fato armas são ruins, a violência em si é ruim, mas o porte de armas ser predominante entre bandidos cria um cenário pior ainda, o de não haver possibilidade de defesa de pessoas de bem.

Dizem que pessoas carregam armas porque carregar um policial é muito pesado, e essa é a verdade, o Estado, sobretudo no Brasil, já provou sua completa ineficiência não só em combater o tráfico de armas, como em coibir a ação de criminosos armados. Mesmo se houvesse maior eficiência por parte da polícia no Brasil, o Estado não consegue estar em todos os lugares o tempo todo, portanto, não consegue garantir a segurança necessária para proteger os indivíduos de bem, que caso estivessem armados, teriam maior segurança nas ruas.

A questão lida com o direito de tentar preservar nosso bem maior, que é a vida, não somente a nossa, como a das pessoas queridas, e não é papel do governo tentar lhe privar desse direito a menos que você tenha sido condenado criminalmente, o que serve de base para atestar que você representa uma ameaça para a sociedade como um todo.

O partido Democrata nos Estados Unidos em geral culpa a liberdade de porte de armas quando há ocorrência de crimes muito divulgados pela grande mídia, em um caso específico, quando uma mulher teve seu pai assassinado em um assalto, esta foi perguntada se ela culpa o porte de armas por isso, ela respondeu da seguinte maneira: eu culpo ao bandido e à cultura do desarmamento pelo assassinato, porque se as pessoas de bem em volta estivessem armadas, possivelmente a vida do meu pai teria sido preservada.

O armamento da população civil lida com outras duas questões muito importantes também, que é o poder conferido à população contra ameaças internas e externas. Ditadores como Hitler pensariam duas vezes antes de tentarem tomar o país e cometerem barbáries utilizando o Estado para subjugar indivíduos, e como foi no caso do Pearl Harbor, a própria população armada poderia lutar contra possíveis ataques externos de guerra no futuro. A lógica é bem simples nesse aspecto, é melhor permitir que a iniciativa privada forme um ciclo produtivo de proteção ao país, do que dispendiar quantias maiores  sem retorno financeiro para armar somente o exército.

A análise do tema deveria se resumir somente à duas perguntas: Você confere exclusivamente a proteção da sua vida ao Estado? Caso a resposta para a primeira pergunta seja sim, pergunte-se: Você se sente no direito de me obrigar a conferir a proteção da minha vida exclusivamente ao Estado?

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

42 comentários

  1. Apenas um pequeno detalhe que observei quando voce se referiu a “armas são ruins”. Armas não podem ser boas nem ruins…apenas as pessoas que as utilizam podem ser classificadas assim. O direito `a própria defesa e’ fundamental. Sou totalmente a favor do porte de armas.

    1. Obrigado pelo comentário Susane. Eu quis dizer que armas são ruins em uma comparação hipotética entre a existência e a não existência de armas no mundo. Mas já que elas existem, e que a violência também existe, argumento em favor do porte de armas.

    2. Armas são sim coisas ruins, pois seu objetivo principal é matar. Matar não é uma coisa boa, mesmo que seja em defesa própria ou de outrem.

      Você que é favor me responda sinceramente: você matar um bandido que te assalta violentamente seria uma coisa tranquila? Você lidaria com isso normalmente? Você ter tirado a vida de uma pessoa, por pior que ela seja, será tranquilo para sua consciência? Você é religiosa? No caso de ser religiosa, você acha que perante sua divindade você estaria certa?

      Quanto ao post, todos os argumentos que leio de pessoas defendendo coisas polêmicas (porte de armas ou legalização de drogas) nunca consigo enxergá-los abrangendo o todo, apenas o individual de forma egoísta. Aquela coisa: eu sei que se eu tiver porte de arma farei bom uso desse porte com todos os cuidados possíveis e apenas irei usufruir dele em caso extremo. Agora se o outro que teve o mesmo porte de arma que eu deixou seu filho morrer atirando contra a própria cabeça, atirou em alguém por briga de trânsito, matou a mulher em momento de fúria, atirou no cachorro do vizinho, ameaçou adolescentes com arma em punho apenas por serem barulhentos na rua, bom, isso não é problema meu. É problema de quem?

      Outro ponto: até onde sei nos EUA, por exempo, o porte é permitido dentro de SUA CASA. Você não pode andar legalmente com uma arma na rua ser for um mero civil, correto? Sendo assim, o pai da mulher do texto seria morto da mesma forma. Agora imagina o porte de arma legalizado no Brasil dentro das condições que você cita e sendo permitido até mesmo andar armado na rua. Não consegue ver o caos que isso seria? Talvez não fosse um caos, pois apenas pessoas com alto poder aquisitivo teriam armas legalizadas, pois são caríssimas. Mais uma vez nessa história o pobre se ferra.

      1. A legalização do porte de armas aumentaria a produção, pela teoria de economia de escala diminuiria os custos e também o preço, ou seja, tornaria mais acessível à população em geral. O julgamento de matar diante da ameaça real e imediata à vida do próprio filho por exemplo me parece justificável perante a sociedade e perante Deus.O assalto que envolve arma nunca é somente um atentado contra o patrimônio, ele representa um atentado contra a vida, pois é isso que a arma de fato ameaça. Pensando de forma coletiva pode-se observar Israel hoje, onde a população anda armada e os índices de violência são muito menores do que no Brasil. Espero ter esclarecido todos os seus questionamentos.

      2. Fernando, nos Estados Unidos, com raríssimas exceções (como NY) o porte é permitido na rua ou em qualquer lugar que não seja especificamente proibido. Qualquer pessoa pode portar, exceto criminosos condenados. Para andar armado alguns estados lá exigem uma licença (concealed carry permit), outros nem isso. Qualquer pessoa pode ter quantas armas quiser. Não existe nenhuma restrição quanto ao tipo e calibre das armas, excetuando-se apenas as metralhadoras, para possuir as quais se precisa de uma licença especial bastante cara.
        Quanto a “matar um bandido que te assalta violentamente”, você preferiria deixar que o bandido o matasse para não ter problemas de consciência? Aqui no Brasil, atualmente, os assaltantes matam sem motivo e sem a menor preocupação.

      3. O porte de armas no EUA é permitido em alguns estados de maneira velada, ou seja escondido debaixo da roupa ou em bolsa, já em outros estados é permitido portar sua arma a vista, todos podem ver.
        Como tudo na vida há seus prós e contras – no princípio encontraremos problemas como os especificados por você. Depois, tudo se normalizará, ou seja, ninguém mexerá com ninguém.
        Sou a favor do porte de armas.

      4. Fernando, é a escolha entre ser alguém vivo com consciência pesada (que eu não teira, pois no hipotético caso de matar alguma assaltante que tivesse me agredido, tenho pela consciência que as ações dele que levaram a sua morte, pois foi ele, por escolha dele que saiu de casa para agredir outro. Não teria sido eu que fui atrás dele para mata-lo) do que ser um morto de consciência limpa. Simples.
        Se você não concorda, direito seu, a vida que está em risco é a sua. O que você não tem direito é achar que eu tenho que arriscar minha vida porque você supõe que eu teria consciência pesada nesse caso.
        Quem utilizar mal sua arma, que cumpra todos os rigores da lei como em qualquer lugar civilizado do mundo.
        Por último, nos EUA, varia de estado para estado o porte da arma na rua, sendo que há alguns, como o Texas por exemplo, em que a pessoa pode até andar com ela à mostra, presa na cintura com um coldre. Em alguns lugares o porte de arma é proibido, como por exemplo nas universidades, que não por acaso, são alvos recorrentes de malucos, pois sabem que exatamente porque não há ninguém armado lá para detê-los.
        Os argumentos da seu último parágrafos são risíveis. Não me consta e acho que a ninguém que antes desse vergonhoso estatuto do desarmamento o país fosse esse caos que você descreve, pois as regras era ainda mais permissivas do que a atual proposta.
        O argumento do valor então, é infantil. Tudo deveria ser proibido no Brasil, pois carros, imóveis, tudo é caríssimo no Brasil e inacessível aos pobres. Vamos proibi-los também? Ah sim, nem tudo é caríssimo no Brasil, pra tirar porte de armas custa apenas R$60,00.

      5. Contra fatos não há argumentos:
        http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/07/20/interna_gerais,785739/cameras-de-seguranca-flagram-assassinato-de-ex-agente-penitenciario-em.shtml

        Veja o policial armado que nada pode fazer.

        Se você tem uma arma na cintura e é abordado por um meliante com arma em punho engatilhada quais suas reais chances de pegar a sua arma e atirar nele antes que ele atire em você?

        Arma em casa poderia resolver os casos que invadem residencias para roubar com pessoas dentro. Contudo, a maioria dos casos são furtos. Invadem casas vazias. Talvez fosse útil nos casos de invadirem prédios e fazerem arrastão. Mas você terá poder de fogo e coragem para enfrentar vários assaltantes armados? E se você ou seu ente querido morre na troca de tiros?

        O caos ao qual me referi seria o pós armamento da população e não antes. Veja o preço dos brinquedos:

        http://www.falconarmas.com.br/revolveres-s294/

      6. Sua informação está errada. No estado do Texas, por exemplo, o sistema legal é de “open carry”, em livre tradução “transporte aberto”, onde o crime é portar armas de forma dissimulada, escondida….

      7. Sou vigilante a 15anos uso de todos os recursos que recebi para guardar a vida de outras pessoas e seu bens materiais, mais não posso usar deste mesmo recursos para salvaguardar a minha vida e nem dos meus familiares , trabalho 12 horas armado todos os dias em uma escala 5×2 mais quando deixo o local de trabalho sou obrigado a não mais porta arma defendi as vidas de outras pessoas mais a minha não vale nada , tem o porte de armas que a polícia federal dar o autorização através de cursos e exames psicológico e psicotécnico exames médicos e provas fornecidas pela polícia federal , e no entanto meu porte de arma só pode ser utilizado em horário de trabalho , trabalhei em transporte de valores,escolta armada e tenho todos os cursos na área da segurança privada , mais mesmo assim é negado o porte de arma fora do horário de trabalho, até quando vamos viver nesta situação …

  2. Um assaltante atirará antes, por trás, para depois surrupiar. Ele presumirá que a vítima esteja armada. Será uma carnificina. O latrocínio predominará sobre o roubo.

    1. Eu já apostaria na queda dos índices de violência. A lógica de atirar antes presume que a única ameaça ao bandido seja a vítima do assalto, desconsidera as pessoas nas proximidades.

    2. O assaltante pode até fazer isso que você falou. Mas muito provavelmente não fugirá com a arma, pois pessoas de bem, também armadas perto desse assaltante podem muito bem inutilizar o inimigo. Quem garante que o assaltante terá sucesso se a maioria do povo andar armado? O cara vai pensar duas vezes antes de assaltar, pode ter certeza. Mas se você realmente pensa assim, faz o seguinte: anda sem arma (é um direito seu não ter, a lei não vai obrigar você a comprar) e deixa quem quer comprar comprar (uma vez que será um direito comprar e não uma obrigação).

      1. Mas se você realmente pensa assim, faz o seguinte: não use drogas (é um direito seu não usar, a lei não vai obrigar você a comprar e usar) e deixa quem quer usar comprar (uma vez que será um direito comprar e não uma obrigação). Percebe? Creio que você seja contra a legalização de drogas e os que lutam ou são a favor pensam exatamente como você.

        1. Geralmente quem defende o desarmamento da população tem crenças políticas esquerdistas e, portanto, é totalmente a favor da produção, comércio e uso de entorpecentes. Com a crença na inocência e vitimização de bandidos e criminalização da vítima, que, na cabeça de quem defende ou que vive e compartilha os mesmos valores dos bandidos, muito embora possam não se dar às práticas ilícitas por qualquer desculpa (de valores da moral cristã ao medo de apanhar, seja da policia, seja de ladrão, ou, pior, servir de mulher para os companheiros de cela), dá crédito à idéia de que a vítima é que incentiva o ato de violência – a partir da culpa e até do dolo – por possuir ou portar algo de valor pelo qual os bandidos estarão dispostos a matar para obté-los de suas vítimas (e, claro, algum esquerdista ou pobre estará disposto a adquirir o bem furtado ou roubado por um preço irrisório). Quem – individualmente – escolhe comprar e portar armas, para o esquedista, é uma pessoa egoísta, que usa um objeto feito para matar, que, sobrenaturalmente, tem vontade própria, senão, dará ensejo a atos de violência gratuita, que por si só, darão razão aos mesmos esquerdistas em protestar pelo desarmamento da população. Sair às ruas com o propósito de cometer assaltos a mão armada, certos de que é improvável que alguma de suas vítimas portem arma e possam empregá-la eficientemente, uma vez que os assaltante se utiliza do fator surpresa para render suas vítimas (por acaso, para esquerdistas, culpadas pelo ato de violência que sofrem, que não é entendida como desmotivada ou gratuita, mas provocada pela atitude individual da vítima e motivada por uma sociedade capitalista opressora desigual, cuja natureza estimula e justifica a violência dos criminosos, que nada mais são do que vítimas inocentíssimas de um sistema político-social-econômico de natureza predatória e exploradora dos mais fracos.

    3. Não tem sido preciso achar que a vítima está armada, os assaltantes estão matando sem motivo hoje mesmo. Porque sabem exatamente que a pessoa não estrá armada.

    4. Mais além do bandido e a vítima terá várias outras pessoas armado em volta do bandido, também e nem um bandido quer morrer ele vem para roubar e matar nunca para morrer , então ele vai pensar duas vezes para puxar uma arma para alguém que o risco para ele vai ser muito maior que agora , porque só ele tem arma

  3. Muito bom! Parabéns pela análise correta e isenta de interferências ideológicas. Morei por muitos anos nos EUA e ficava muito clara a diferença nos gráficos da violência quando se comparava um estado aonde as armas eram permitidas de outro aonde o controle era maior.
    Os índices de violência no estado do Texas são infinitamente menores que os de Illinois por exemplo.

  4. A partir do momento em que cada um de nós, de forma legal, puder ter uma arma penso que o infrator (bandido/ladrão/etc) pensará mais antes de agir contra o cidadão de bem. Ele não quer ir para o embate. Se o possuidor da arma utilizá-la de forma indevida, que ele responda por eventual abuso. O fato de alguém ser contra o uso de armas não pode tirar o direito de quem quer possuir uma. Penso que os índices de criminalidade diminuirão e não o contrário. Não consigo enxergar o fato de cidadão de bem, repito, de forma legal, possuir arma fazer com que o caos aconteça. Quem quer ofender a integridade física de alguém não precisa de arma de fogo. Ele pode utilizar uma faca, canivete, pedaço de madeira, barra de ferro, pedra, dentre infindáveis exemplos. Eu quero ter o direito de possuir uma arma de fogo. Se você não quer, não compre uma.

    1. A partir do momento em que cada um de nós, de forma legal, puder usar drogas penso que o infrator (traficante/viciado/etc) pensará mais antes de agir contra o cidadão de bem. Ele não quer ir para o embate/cadeia. Se o usuário de drogas utilizá-la de forma indevida, que ele responda por eventual abuso. O fato de alguém ser contra o uso de drogas não pode tirar o direito de quem quer usar e não ser criminoso por isso. Penso que os índices de criminalidade diminuirão e não o contrário. Mesma ideia que postei acima.

      1. É mesmo? Engraçado, eu nunca vi ninguém assaltando os outros usando um cigarro de maconha. Ou um cachimbo de Crack. Alguém aí já viu?
        Um argumento mais risível que outro.

  5. Eu li em um artigo a respeito do desarmamento da população civil, que os únicos lugares do mundo onde ele foi feito, de acordo com o proposto por nosso governo foi na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini e na URSS de Stalin. Me parece que a Venezuela tem um modelo similar. Agora desarmar a população como se pretende no Brasil não tem consequências somente na segurança pública. O princípio do armamento da população americana é propalado por eles a tempos: “Quando os governos forem os únicos donos de armas, não precisarão ser donos de mais nada”.

  6. Nego é muito inocente achando que um cara do seu lado vai matar um bandido se ele tiver mexido só com você.
    Se liguem, o problema é cultural.
    Se liberar o porte de armas aqui, o caos vai ser geral!!!
    Parem de achar que estamos nos EUA ou em Israel, onde a população – ao contrário do que se pensa – é muito mais culta (no sentido geral da palavra) e civilizada!!!
    Se liguem!!!

    1. Há vinte anos o porte de armas era liberado aqui, e não era esse caos que você diz. Ao contrário, era mais seguro e os índices de violência eram menores que os de hoje.

  7. Creio que os argumentos em defesa do porte de armas de fogo fazem uma confusão entre mundo ideal e mundo real. Em um mundo “ideal”, no qual cidadãos responsáveis e equilibrados, sujeitos a duras penalidades, pudessem portar armas de fogo, teríamos uma sociedade vivendo em uma perfeita sintonia entre liberdades individuais e deveres coletivos. Cada cidadão seria tão importante ao ponto de poder dispor dos mesmos meios de utilização de força física que o Estado. A ideia é atraente, mas não funciona no “mundo real”. Em primeiro lugar, nenhum lugar do mundo é composto somente por “cidadãos responsáveis e equilibrados”. Sim, temos muita gente perturbada vivendo entre nós e, o pior é que, nem sempre isso está claro. Em segundo lugar, é necessário que as ações das pessoas sejam devidamente responsabilizadas. Qual o resultado esperado de uma ampla proliferação de armas de fogo em um país em que uma pessoa mata outra e permanece encarcerada por 4 ou 5 anos (na prática) como no Brasil? Na prática, teremos um aumento exponencial nas mortes causadas por brigas de trânsito, futebol, bares, entre vizinhos, etc. Por último, temos um fator que normalmente não é discutido de forma adequada: a arma como instrumento de autodefesa (vítima x assaltante). Mesmo se todos os cidadãos fossem devidamente treinados no uso de suas armas (o que nunca aconteceria na prática), para que houvesse vantagens táticas na confrontação com bandidos armados, as pessoas teriam que estar o tempo todo em posição de empunhadura (com as duas mãos na arma destravada, como nos filmes policiais americanos) ou com outra pessoa dando cobertura. Somente assim seria possível não ser pego em desvantagem, pois a ação do banditismo sempre é executada de forma a anular possíveis reações. Ou seja, quem assalta vai sacar sua arma exatamente quando sua vítima estiver de costas ou sem possibilidade de pegar sua própria arma. A única forma de evitar isso seria escrutinar o tempo a rua com a arma em mãos. Pergunte a qualquer policial ou militar quais as chances de se conseguir atirar em um assaltante que apontou a arma para sua cabeça antes de você tirar a sua própria arma da cintura. Uma arma em casa já ofereceria um grau maior de proteção, pois o cidadão, em tese, teria mais chances de não ser totalmente surpreendido (ouve barulhos, alarmes, conhece bem o local, etc.). Mesmo assim, no tal “mundo real”, seria muito mais provável que essa arma mantida em casa acabasse sendo usada em violência doméstica ou para intimidar um vizinho. Arma não é escudo de força, a proteção só seria efetiva na rua com uma utilização ridiculamente ostensiva. Acredite, no mundo real é mais fácil reagir a um assalto de “mão limpa”, em movimentos rápidos de mão (estilo krav maga) para desarmar o bandido que tentando sacar uma arma guardada na perna ou na cintura. Para quem tem medo onipresente de ser assaltado, vale mais um bom curso de defesa pessoal (artes marciais) e buscar sempre evitar determinadas situações de vulnerabilidade. No mais, a arma oferecerá proteção apenas em limitadíssimas oportunidades, nas quais o “descuidado” teria que ser o bandido. Como princípio, a ideia é válida, mas na prática, o resultado só pode ser desastroso em um país “avacalhado” como o Brasil.

    1. Quem faz confusão entre mundo ideal e mundo real é quem defende a proibição. Em seu mundo ideal todos são bonzinhos, pacíficos e as armas é que são as causadoras da violência, não as pessoas. Nesse fantástico mundo de Bob do desarmamento são as pessoas de bem as causadoras de mortes por armas, não os bandidos, traficantes e mal feitores. Desconsideram o óbvio de que as pessoas de bem são pessoas de bem porque respeitam a lei, e os bandidos são bandidos porque não respeitam a lei. Simples, mas na mente dessas pessoas é exatamente ao contrário.

      1. Luis, que mundo preto-e-branco é esse em que você vive? Está dividido entre “bons” e “maus” igual filme de super-herói! Não existe “pessoa de bem”. Todo mundo tem seu limite e seu dia ruim. Garanto que cada um de nós seria capaz de matar alguém de forma estúpida se isso fosse muito fácil (momento de nervosismo extremo, uma fechada no trânsito). Leia atentamente o que escrevi, arma em si mesmo só serve como proteção se for usada por profissional e de forma extremamente ostensiva. Fora isso é um convite para pessoas despreparadas cometerem besteiras e agirem de forma irresponsável.

  8. O que se percebe claramente pelos números é que banir as armas, as drogas e os jogos de azar, na sociedade brasileira, não deu certo. Deve-se procurar uma alternativa e, esta alternativa é exatamente o oposto: A legalização com regras! O Estado brasileiro falido, teria o retorno com os impostos e os criminosos perderiam a força, que o Estado, nas condições atuais, não consegue combater.

  9. O texto é muito bom, os comentários coerentes, porém discordo da visão unilateral de que apenas as armas resolverão o problema da violência no país. Sou a favor do armamento, porém acredito que o pais precisa investir em diversos aspectos para tentar encontrar uma saída para a onda de violência que nos arrasta. E acredito que o primeiro passo começa pela educação.

    1. Na verdade, antes da educação, precisamos de uma mudança mais radical e muito mais difícil: uma mudança cultural. A educação é parte importante dessa mudança, mas são necessárias uma série de outras medidas para que o modo de pensar do brasileiro mude. E que mude para o melhor, é claro.

  10. a aquisição do porte de arma tem que ser rigorosa mesmo não pode ser dado a qualquer um tem que se comprovar a necessidade, mais a posse de arma de fogo para defender sua família e patrimônio em sua residencia , comercio etc é fundamental isso nunca deveria ter mudado de acordo com o estatuto do desarmamento que e praticamente impossível de adiquirir uma arma de fogo.

  11. Parabéns pelo texto.
    Sou incondicionalmente a favor ao porte de armas.
    Bandido armado, policia corrupta e desonesta.
    Chega! A população de bem desse pais precisa se defender.
    Porte de Armas Legais já.

  12. Vale lembrar que para ter permissão de porte, além de comprovar antecedentes criminais, o cidadão comum será obrigado a saber manusear a arma, fazer curso de tiro e etc. Diferente de um marginal, que utiliza a arma sem o mínimo de preparo e treinamento.

    1. Eu li, mas parece que você não leu.
      “Contras: Atualmente, o cenário em Honduras caminha para o lado anti-armas. Décadas de violência dividiram a opinião pública em 2007, que conseqüentemente levou a proibição do porte, seja ele velado ou ostensivo. Essa escolha não ajudou em absolutamente nada em relação ao derramamento de sangue, fato já esperado, portanto que não surpreende. Honduras possui um dos maiores índices de homicídios do planeta. Os hondurenhos podem ter até 5 armas de fogo, todas precisam estar devidamente licenciadas e registradas pelo governo e todos os 26 locais que vendem armas e munições são controlados pelos militares.

      Taxa de registros: 2,05%. Nota: esse número representa apenas as armas registradas. Estima-se que as não-registradas superam 850.000 unidades.”

      1. Acho que você que não entendeu. Lá era permitido e não resolveu o problema da violência. Proibiram e ainda não resolveu. Pegou a ideia? O cerne da coisa não é permitir ou proibir. É a sociedade como um todo, a sua cultura. Portanto, acredito que aqui será sim igual ou pior que Honduras, pois o problema é cultural. Pode por arma na mão de todo mundo que a violência não vai diminuir.

  13. Quem ganha com a proibição do uso de armas? Acredito que, ao respondermos essa pergunta, saberemos o que fazer, para que a população possa exercer o seu direito de ter ou não ter uma arma.

  14. Todo ‘movimento’ tem interesses ocultos, portanto existe algum ‘ganho’ com a proibição da venda de armas para a população. Repito, quem são ‘esses’ que não querem o uso das armas como defesa própria e de outrem? Acredito que, ao desvendarmos esses ‘interesses’, esses responsáveis pela proibição, não terão como insistir nessa proibição.

  15. Estou em processo para aquisição de arma de fogo, acredita que o delegado falou que minha alegação para a compra da arma era muito genérica, querer defender meu patrimônio, muita família e proteção pessoal, acredita que tive que fazer um termo de efetiva necessidades a próprio punho dizendo que meu carro foi roubado na porta de casa que moro em uma região central onde esta acontecendo diversos roubos e assaltos.
    Mas estou muito mais apreensivo ainda em saber que pode ser negado minhas alegações já pela própria apresentação do documento

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