No parlamentarismo, não precisaríamos de impeachment

Amanhã será decidido se Dilma irá ou não sofrer o afastamento definitivo. Se o crime de responsabilidade é previsto na constituição como justificativa aceitável para o impeachment, e este crime foi de fato cometido, não há o que se questionar sobre a legitimidade da permanência do governo de Michel Temer. No entanto, ninguém é ingênuo o bastante para acreditar que a denúncia não foi oportuna.

A defesa de Dilma culpa articulações políticas protagonizadas por Eduardo Cunha, mas foram as pressões populares que tornaram tudo isso possível. Se a mesma denúncia tivesse sido feita contra Lula enquanto este colhia os frutos das reformas direitistas do presidente Fernando Henrique Cardoso, momento em que o Brasil era visto com ótimos olhos perante o mundo após crescimento de mais de 7 porcento do PIB, a população teria se revoltado e o impeachment não teria se desenrolado.

Estudiosos de bom senso da economia sabem que um partido com tendências socialistas não poderia colaborar para o desenvolvimento do país, mas para o nosso povo em geral, infelizmente foi necessário um grandioso chute no traseiro para este entender que demagogia sem fundamentos econômicos funciona somente na hora de arrecadar votos.

E esse chute foi pesado, treze anos de desgoverno do PT provocaram a situação atual de retração no PIB, doze milhões de desempregados, inflação, desvalorização do câmbio, gastos públicos exorbitantes, crise previdenciária, fuga de capitais internacionais, enfim, jogaram o Brasil no fundo do poço.

No regime presidencialista o processo de impeachment é extremamente doloroso, instaurou-se no país uma verdadeira guerra política na tentativa de despossar Dilma, foram muitas as sessões realizadas na câmara e no senado para que chegássemos até aqui, tempo precioso dos legisladores que poderiam estar tratando de temas vitais para mudarem o rumo atualmente decadente de nossa economia.

No parlamentarismo existe uma ferramenta denominada voto de censura, a qual tem o poder de demissão do primeiro-ministro, podendo ser usada quando a maioria dos parlamentares não estiverem de acordo com as políticas governamentais do mesmo. Essa opção se apresenta muito mais viável e dinâmica do que o impeachment quando a insatisfação popular é generalizada.

A criação de um plebiscito para mudança de regime nesse momento não é interessante porque precisamos focar esforços em criações de leis que façam com que o país volte a caminhar economicamente para frente, mas sem dúvida seria interessante que essa proposta entre em pauta em alguns anos.

 

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

2 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *