Verticalização ou Horizontalização da produção. Qual é mais vantajosa?

A recente compra da Monsanto pela Bayer me levou a refletir novamente sobre os processos de verticalização e horizontalização da produção. A verticalização é uma forma de produtividade característica do modelo denominado de Fordismo, introduzido por Henry Ford em sua fábrica de automóveis. Baseia-se na idéia de ampliação das atividades produtivas da empresa de forma que ela passe a produzir os insumos necessários para a produção de seu produto final. Um exemplo seria se a Ford, produtora de automóveis, comprasse uma empresa produtora de borracha, dessa forma, ao invés de adquirir borracha de terceiros, a própria Ford passaria a produzir esta matéria-prima a ser usada na confecção de volantes, acabamentos internos dos veículos, etc… Ao comprar a Monsanto, a Bayer adotou esse processo.

A horizontalização da produção representa justamente o contrário, a empresa nesse caso foca seus investimentos somente na sua atividade principal, comprando insumos de terceiros, sendo uma maneira de produtividade característica do toyotismo, modelo introduzido pela Toyota. A verticalização foi predominante no início do século passado e perdurou até a década de 1970, onde a própria Ford passou a adotar a horizontalização.

A idéia de possuir independência de outras companhias no processo de produção me parece inicialmente inofensiva quando se trata de uma empresa enorme adquirindo uma média empresa porque gostaria de personalizar os insumos que está adquirindo para adequá-los melhor às suas necessidades. Nesse caso, o investimento é proporcionalmente pequeno, e consegue-se pensar em uma empresa existindo simplesmente em função de outra. Nesse exemplo haveria redução de custos de aquisição de produtos pela empresa maior, onde excluiria-se a necessidade de pró-labore da empresa menor.

Quando se pensa na relação Bayer e Monsanto, o paradigma é completamente diferente. Ambas as empresas são gigantes e uma aquisição de forma errônea poderia acarretar em prejuízos exorbitantes. Processos de compra como esse implicam em centralização da gestão, a empresa menor vê-se obrigada a se adequar às políticas empresariais da empresa maior, muitas vezes implicando em mudanças em processos, na forma de prospecção e relacionamento com clientes e fornecedores, na integralização de sistemas de informação, entre outras. Todas essas mudanças criam uma cara nova para a empresa, que pode ser adequada ou não ao mercado em que atua, é importante saber que cada nicho de mercado exige formas de atuação diferentes, e efetuar mudanças em empresas bem estabelecidas pode ser muito perigoso. Outra questão que deve ser avaliada é a situação de fluxo de caixa da empresa, ampliação de mercado significa maiores investimentos e quando não há capital de giro suficiente a companhia acaba recorrendo a financiamentos, os quais devem ser avaliados com muita cautela. Sem dúvida o maior risco desse tipo de aquisição é o de que a empresa adquirida passe a focar principalmente nas necessidades da compradora e deixe de priorizar outros clientes importantes, que muitas vezes são concorrentes da empresa principal.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

2 comentários

  1. Além do mais, a Bayer já estava a algum tempo com dificuldades em atrair novos investidores. Logo depois da empresa bater uma máxima histórica em 2015, suas ações entraram em um canal de baixa que se mantém consistente até hoje. Acredito que a aquisição da Monsanto seja uma forma da empresa mostrar-se forte para atrair investidores. Essa estratégia geralmente demonstra um grau de desespero da administração.

    Parabéns pelo post!

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