A teoria dos jogos e o equilíbrio de Nash aplicados às eleições

A teoria dos jogos trata da análise dos possíveis movimentos de cada adversário em uma disputa de conflito. Embora esta teoria seja originária da matemática, esta é muito aplicada na economia, em guerras ou em eleições. No campo da economia esta se torna muito útil para analisar processos decisórios de empresas em situações de concorrência. O objetivo prático de se aplicar essa teoria é o de maximizar ganhos em situações de conflito. No caso do xadrez por exemplo, a cada movimento de um dos jogadores, abre-se um leque de opções para o adversário, onde este pode optar por um novo movimento mais ofensivo ou defensivo, a análise do cenário formado por onde as peças se encontram naquele momento é determinante para a decisão do próximo movimento e o objetivo final de ambos os jogadores é vencer a partida.

Quando se inicia o processo de eleições, principalmente em um país onde a corrupção é sistêmica dentro da política, os candidatos de forma geral procuram obter a vitória nas urnas sem comprometerem sua imagem pública, seu patrimônio, e em último caso, sua liberdade. As estratégias eleitoreiras das campanhas buscam vencer a eleição para o partido evitando essas três situações.

O matemático John Nash, vencedor do prêmio nobel e cuja vida serviu de inspiração para a criação do filme “Uma mente brilhante”, contribuiu em muito com a teoria dos jogos estabelecendo o que ele chamou de “Solução estratégica”, comumente conhecido como “Equilíbrio de Nash”, o qual serve para identificar uma estratégia a ser utilizada por ambos os competidores na qual não há incentivos para mudanças por nenhuma das partes caso a outra parte também não mude sua estratégia.

O equilíbrio de Nash é evidenciado quando os candidatos passam suas campanhas apresentando somente propostas de governo sem denegrirem a imagem um do outro. As pesquisas de intenções de votos servem de parâmetro para que os competidores possam avaliar se estão perdendo ou ganhando naquele momento em específico, e através destas avaliam se deveriam ou não partirem para o ataque.

Muitas das eleições fluem sem ataques pessoais porque os candidatos não estão dispostos a perderem a imagem que construíram ao longo de anos de vida pública, e mesmo quando percebem que irão perder a eleição, mantém o foco de suas campanhas estrito às suas propostas de governo. Em outros casos, candidatos partem para o ataque quando são ultrapassados na pesquisa de votos. Quando um dos candidatos quebra o chamado equilíbrio de Nash, atacando a imagem pública do adversário, o opositor se vê em uma situação onde avalia 3 tomadas de decisões diferentes. Uma, seria permanecer na defensiva para evitar novos ataques, outra seria desferir um ataque que comprometesse a imagem pública do combatente e a terceira, a qual nunca presenciei no Brasil, seria desferir um ataque que comprometesse a liberdade do oponente através da apresentação de provas concretas que constituiriam a abertura de inquérito e prisão do candidato corrupto. É claro que este cenário presume a culpabilidade de todos os candidatos.

As eleições que acompanhei no Brasil até hoje nunca chegaram até o terceiro estágio, onde é aberto um inquérito com a apresentação de provas que levariam posteriormente à prisão de um dos candidatos, isso provavelmente se justifica pela iniciativa de todos os candidatos de preservarem sua própria liberdade, em outros casos, sabe-se lá até que ponto vão as ameaças e disputas pelo poder.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

4 comentários

  1. A corrente neoschumpeteriana tem em sua base a escolha de estratégias. Assim, em suas análises de trajetória tecnológica, setorial e empresarial analisam a conveniência ou não de aplicação e o momento de adotar uma determinada estratégia. É o caso de ser ou não e “escolher” a direção da inovação, pressionar por ou antever a mudança de natureza da regulação e sua implicação, bem com outros fatores que venham a ser mais e melhores construtores ou destrutores de barreiras de entrada, causadores de mudança de estruturas de mercado que sejam favoráveis ou não ao agente econômico perante a concorrência……

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