Número de desempregados no Brasil é bem superior à 26 milhões

Segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego atual no Brasil é de 11,8%, isso corresponde à cerca de 12 milhões de brasileiros. Esse dado é formado pela quantidade de pessoas desocupadas dividida pela população economicamente ativa multiplicada por 100. A quantidade de pessoas desocupadas é apurada pelo IBGE considerando a população entre 10 e 65 anos que se dispôs a procurar emprego nos últimos 30 dias da coleta de dados, já a população economicamente ativa é o que os livros de economia chamam de força de trabalho, o qual engloba a soma entre o número de empregados e a quantidade de pessoas desocupadas. A lógica desse cálculo é bem simples, apura-se a proporção entre as pessoas que estão procurando emprego em relação à quantidade total de pessoas que procuram emprego ou estão empregadas. As pessoas que, embora desempregadas e dispostas a trabalhar, desistiram da busca pelo emprego não são consideradas na pesquisa, a elas dá-se o nome de trabalhadores desalentados.

Existe um problema muito sério na medição utilizada pelo IBGE, esta considera pessoas que participam de programas de treinamento e programas sociais, como o bolsa família, como empregadas. O deputado federal Daniel Coelho, do PSDB, criou um projeto de lei que adequaria as medições de níveis de emprego e desemprego no Brasil aos parâmetros utilizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), os quais excluiriam as pessoas citadas nesse parágrafo como uma parcela dos considerados empregados. A criação dessa lei seria muito interessante para que tivéssemos um valor mais aproximado da realidade atual do desemprego no país, principalmente quando se pensa que somente no tocante ao bolsa família, cerca de 14 milhões de famílias são beneficiadas. Por se tratar de famílias, conclui-se que a quantidade aí representada envolve um número bem maior de indivíduos dentro da população economicamente ativa do que 14 milhões.

Mesmo em momentos de grande aquecimento da economia, desemprego sempre irá existir devido principalmente à dois fatores, um deles se relaciona ao que é chamado de desemprego friccional, o qual trata-se das pessoas que buscam trabalhar somente em campos específicos de atuação que se encaixem em suas qualificações, experiências e habilidades. O outro fator é o desemprego estrutural, resultante do desequilíbrio dos salários na relação entre a oferta e demanda de empregos, ou seja, quando a empresa opta por fornecer salários maiores para os funcionários (seja por obedecer à legislação do salário mínimo, pressões de sindicatos ou simplesmente por buscar maior eficiência dos trabalhadores), esta corre o risco de não ter condições financeiras de contratar a quantidade máxima de funcionários para atingir seu potencial máximo de produção.

No caso do Brasil, infelizmente a situação atual é caótica, eu atribuo o nível de desemprego absurdo principalmente ao tamanho da carga tributária, aos salários exorbitantes artificiais no funcionalismo público destoantes com a realidade do país, entre outras formas de gastos públicos elevados, à estratosférica intervenção dos governos anteriores na iniciativa privada, à altíssima taxa SELIC e à prevalência do peculato e da corrupção dentro do funcionalismo público. Iniciativas benéficas estão sendo tomadas no governo Temer para reverter essa situação, espero que essa realidade mude significativamente nos próximos anos.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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