Elasticidade da demanda: uma análise do mercado de tabaco

Com os recorrentes aumentos de impostos sobre o mercado de tabaco, considero interessante a análise deste produto tão demandado pela população embora sendo prejudicial à saúde. Os cigarros possuem características marcantes no estudo da economia, como inelasticidade da demanda, não possuir bens substitutos e ser alvo de perseguição por parte do governo para diminuição de consumo.

Bens substitutos são produtos que devido à similaridades em suas funções de consumo substituem um ao outro no processo de aquisição por parte do consumidor em caso de alterações de fatores que levam à diminuição ou aumento da procura por eles. Um dos fatores que mais altera a relação de demanda por qualquer produto é sem dúvida o preço. Um exemplo clássico de bens substitutos é a relação existente entre a margarina e a manteiga, quando há aumento considerável no preço da margarina, consumidores tendem a adquirir mais a manteiga, e vice-versa. Da mesma forma, quando há aumento no preço do frango, carnes suínas ou bovinas tendem a ser adquiridas em maior número. No caso do cigarro, não há bens substitutos, e isso acaba por contribuir para o que a economia chama de inelasticidade da demanda.

Produtos são considerados elásticos quando uma pequena alteração no preço gera grande alteração na quantidade de consumo, e inelásticos quando grandes alterações no preço não modificam muito a quantidade demandada. O tabaco, por não possuir bens substitutos, e principalmente por gerar dependência química, é tratado como um produto inelástico, ou seja, em grande escala, pessoas não tendem a diminuir a quantidade de cigarros consumidos quando seu preço aumenta.

Em alguns casos, o aumento de impostos sobre determinados produtos trata-se de uma medida governamental para diminuição de consumo por parte da população, pelo menos este é o discurso que é dado no momento destes aumentos. Cabe ao leitor ponderar as intenções do Estado ao utilizar este tipo de medida, há também a interpretação de que o Estado é um agente ganancioso, e por isso utiliza-se desta justificativa para aumentar sua arrecadação.

Independentemente das reais intenções do Estado, este acaba por não atingir nem esse e nem o outro objetivo. Não há grande diminuição do fumo por alterações no preço devido à inelasticidade da demanda e a arrecadação de impostos não aumenta com a elevação dos tributos devido à prevalência da pirataria e do contrabando.

Leia mais sobre os prejuízos gerandos pelo contrabando clicando aqui.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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