Relação entre câmbio e inflação. Como atrair capital estrangeiro?

Karl Marx afirmou que no capitalismo alguns títulos sem qualquer valor intrínseco são comercializados como mercadorias, essa noção se aplica à precificação do câmbio. Para entender melhor essa relação, imagine uma situação onde um fazendeiro planta somente feijão e outro somente arroz, para que os dois possam formar a saborosa combinação entre arroz e feijão lhes é necessário chegar em um consenso entre quantos kgs de arroz corresponderiam a quantos kgs de feijão. o que nada mais é do que a formação do preço. Na ausência de uma moeda e de um Estado que interferisse nessa troca, o preço se formaria principalmente pela quantidade de pessoas demandando feijão e arroz, e a quantidade de arroz e feijão disponíveis para venda, esse é o conceito de oferta e demanda. As cotações que vemos da relação entre real e dólar por exemplo, são formadas pela quantidade de dólares disponíveis para venda dentro do Brasil e a quantidade de pessoas dispostas a trocar o real pelo dólar.

Como se pode ver no gráfico abaixo, desenvolvido pelo banco central do Brasil retirando dados entre 2001 e 2015, existe uma correlação visível entre o câmbio e a inflação dentro do Brasil:

A relação entre a cotação do dólar vs real e a valorização ou desvalorização dos preços dos produtos no Brasil se justifica por dois motivos primordiais: quando o dólar está baixo em relação ao real, insumos importados utilizados por empresas que produzem no Brasil se tornam mais baratos, diminuíndo assim os custos da produção. Quando um processador de computador fabricado nos EUA está mais barato por exemplo, a empresa Positivo gasta menos para montar seus computadores, e com isso pode vendê-los a um preço mais barato. Além desse motivo, quando o dólar está baixo, os produtos importados ficam mais acessíveis aos consumidores, obrigando a indústria nacional a diminuir os preços de seus produtos para se manter competitiva.

Com o conceito claro de que o câmbio influencia na inflação, resta ao governo encontrar maneiras efetivas de manter o real forte, e assim evitar a inflação. Para tanto, existem algumas medidas governamentais que podem ser tomadas, são elas:

  • Aumentar a taxa selic: quando o governo aumenta a taxa básica de juros, títulos públicos e bancários no Brasil se tornam mais atraentes, por isso muitas vezes o banco central diz que não irá reduzir a taxa de juros por medo de inflação. Essa medida é efetiva mas puramente artificial, pois a entrada de dólares no país é direcionada ao endividamento do Estado e ao capital baseado em juros, tem natureza puramente especulativa, além disso, quando investidores buscam bancos e ao governo para aplicações, eles deixam de investir na bolsa de valores, que possui relação direta com a produtividade no país. Fiz uma publicação tratando desse tema, clique aqui para lê-la.
  • Swaps cambiais: o banco central pode vender dólares através de contratos de derivativos aumentando assim a quantidade de dólares disponíveis para venda no Brasil, essa medida é extremamente dispendiosa para o país, e completamente artificial.
  • Medidas efetivas para atrair capital estrangeiro: são várias as medidas que podem influenciar na atração de investidores para a Bolsa de Valores e na atração de multinacionais para o país, algumas delas estão sendo tomadas pelo governo Temer: diminuição da taxa Selic, diiminuição da carga tributária, diminuição dos custos do Estado (sinaliza que provavelmente não haverá aumento de impostos), o combate à corrupção e ao peculato,  estabilidade política, diminuição do endividamento do Estado, ou seja, tudo o que gera credibilidade para o país e não sufoca as empresas multinacionais.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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