Reforma da previdência: as visões do trabalhador e do governo

A reforma da previdência é um tema extremamente complexo, não merece ser tratado de forma simplista e/ou leviana. Demorei muito para fazer uma publicação sobre o tema justamente porque o assunto requer sensibilidade para entendermos os pontos de vista de todos os envolvidos no processo.

Na visão do trabalhador, da qual eu faço parte, pensando somente em benefício pessoal, seria mais interessante que eu usasse o dinheiro que contribuí para me aposentar para realizar outros tipos de investimento, como previdência privada por exemplo, pois estes rendem mais do que a previdência social. O que deve ser levado em consideração é que os valores descontados da minha folha de pagamento não são somente usados para os benefícios que terei no futuro, mas estes incluem gastos com saúde da população e programas assistenciais como o bolsa família. Se analisados somente os gastos com previdência social, há um superávit nas contas da previdência, por isso muitos dizem que o déficit da previdência é uma farsa. A interpretação sobre o tema fica à cargo do leitor, eu por acreditar na responsabilidade social de cada contribuínte, acredito que embora a carga tributária deva ser menor, esta é uma obrigação moral, embora acredite também que os programas sociais devam ser voltados para um assistencialismo produtivo mais eficiente do que o bolsa família, existe sim uma obrigação pessoal minha para com a sociedade no tocante ao assistencialismo.

Na visão do governo, a reforma da previdência tem em sua essência a mesma lógica da PEC 241 que limita o crescimento dos gastos públicos, que é a de conter gastos em situação de caos financeiro em que o país vive. Esta, ao contrário do que muitos podem pensar, não é uma tentativa de aumentar a receita do Estado, pois a arrecadação advinda dos trabalhadores que iriam se aposentar seria substituída pelos desempregados que representam mais de 26 milhões de brasileiros. Ou seja, a tentativa do governo não é a de lucrar em cima de nós trabalhadores, mas de impedir que os gastos insustentáveis continuem crescendo. Devemos nos lembrar que a população brasileira está envelhecendo, o número de aposentados cresce em altas proporções assim como o número de contribuintes diminui drasticamente.

Sobre a idade mínima para se aposentar, acredito que 65 anos é uma idade razoável, deve-se lembrar que o conceito de aposentadoria por idade é o de atestar que o trabalhador não tem mais condições de trabalhar devido às limitações estabelecidas pela idade.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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