Operação carne fraca: atos ilícitos isolados ou amplos e recorrentes?

A catástrofe econômica provocada pela divulgação da operação carne fraca levanta o questionamento sobre a possível irresponsabilidade e estrelismo por parte da polícia federal na hora de divulgar os dados.

Afinal, trata-se de práticas excepcionais (limitadas a poucos frigoríficos, por irresponsabilidade de poucos) ou amplas e recorrentes, entre as grandes empresas exportadoras que estão sendo acusadas?

Se poucos gestores cometem atos absurdos, e poucos membros fiscalizadores cedem ao apelo da propina, isso deve ser divulgado como algo sistêmico? Ou seja, como práticas usuais em um dos poucos setores onde o Brasil se destaca em âmbito internacional?

As respostas à essas perguntas só serão identificadas após a apresentação de todas as provas das quais a polícia federal tem posse. O delegado responsável pelo caso se justificou dizendo que a quantidade de provas divulgadas até agora é ínfima em relação à enorme gama de documentos e gravações colhidas pela PF durante os 2 anos de operação.

A imprensa exerce papel fundamental de fiscalizadora na sociedade, esta atua tornando públicas atividades excusas que devem ser punidas e prevenidas para o bem-estar social. Possivelmente se o estardalhaço midiático não tivesse sido tão grande, o judiciário não se sentiria tão pressionado e apurar e punir os possíveis casos de abusos ultrajantes dos quais as empresas estão sendo acusadas, e por se tratarem de empresas tão poderosas, possivelmente observaria-se pouco ou nenhum efeito real na modicação de tais práticas. Observando toda essa situação por esse aspecto, precisamos desvincular a omissão, a passividade e a impunidade da cultura de vida de nós brasileiros, e trazer luz às práticas impuras que contaminam todo o nosso país.

Da mesma maneira, é necessário que a polícia federal tenha consciência de que afetou a forma com que cada brasileiro olha para o alimento que consome diariamente, causou-se um incêndio de proporções enormes em torno de possíveis casos ínfimos, isolados, e de má interpretações (como o caso do papelão ser misturado na carne ou usado como embalagem).

A PF pode ter assumido papel de heroína ou vilã nessa situação, tudo dependerá das provas ainda não divulgadas, caso tenha evidenciado uma prática ampla e recorrente, nossa população agradece, caso se tratem de interpretações errôneas ou de pequenos casos isolados, resta a crítica de que nossa economia já passa por uma situação muito difícil, e uma bomba como essa servirá para gerar ainda mais desemprego, diminuição de arrecadação, ou seja, ainda mais crise.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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