Marcelo Medeiros estava certo. Brexit gerou queda da libra e inflação na Inglaterra

Em menos de um ano do anúncio de que a Inglaterra sairia da União Européia, pode-se verificar aumento dos índices de inflação e queda considerável na libra como foi previsto neste blog.

Verifique o gráfico da cotação da libra em relação ao dólar neste período:

Fonte: Advfn

Os dados de inflação na Inglaterra são os seguintes:

Fonte: http://www.rateinflation.com/inflation-rate/uk-historical-inflation-rate?start-year=2016&end-year=2017

A lógica utilizada foi a de que com fuga de capitais da Inglaterra, investidores trocariam libras por dólares, gerando queda na cotação da libra. A queda na cotação da libra implicaria nos níveis de inflação, devido à relação entre câmbio e inflação exposta também nesse blog (clique aqui para ler a publicação: Relação entre câmbio e inflação. Como atrair capital estrangeiro?).

Leia a publicação feita por este blog no dia 25 de junho de 2016:

A Inglaterra será feita de bode expiatório com saída da UE

A INGLATERRA SERÁ FEITA DE BODE EXPIATÓRIO COM SAÍDA DA UE

O processo de união entre as nações sofreu um enorme retrocesso com a divulgação de que o Reino Unido não participará mais da União Europeia. A burocracia para a criação de novos acordos comerciais faz com que a perda dos existentes seja extremamente dolorosa e prejudicial.

O mundo está se configurando entre 2 grandes blocos internacionais: BRICS e UNIÃO EUROPEIA + NAFTA, enquanto tudo apontava que haveriam progressos na política de laissez-faire, onde impostos na comercialização entre países são reduzidos, impulsionando o livre-mercado e contribuindo para o desenvolvimento dos povos, houve um retrocesso na mutilação de um bloco que possui uma infinidade de acordos bem definidos, economias fortíssimas e até mesmo uma moeda de troca.

Muitos analistas estão prevendo a iminente destruição da união europeia, eu sigo uma linha de pensamento diferente. Com a queda das bolsas de valores, a desvalorização da libra frente ao dólar e o rebaixamento do nível de avaliação da Inglaterra por órgãos classificadores internacionais, o país será feito de bode expiatório com uma fuga de capitais exorbitante no país.

A tendência do mundo hoje é de unificação, o comércio livre baseia-se principalmente na teoria econômica de que troca de mercadorias são sempre proveitosas, mesmo que a Inglaterra produza melhor batatas e produtos eletrônicos por exemplo, o comércio com um país grande produtor de batatas de qualidade inferior possibilita ao país investir mais tempo e recursos naquilo que atrai maior capital, que são os produtos mais trabalhados.

Pela fuga de capitais a Inglaterra perderá um grande amigo cambial, que era o EURO, e a libra sofrerá quedas desproporcionais, gerando uma inflação considerável no país.

Muitos dos que votaram pela saída da Inglaterra do bloco já se arrependeram ao perceberem que quando se trata de economia global, o mercado é implacável para com os que se isolam, o mundo todo sofrerá com diminuições de trocas de mercadorias com a fortíssima economia britânica, mas no longo prazo, sem dúvida, a maior prejudicada será a própria Inglaterra.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

2 comentários

  1. O que quer dizer “O mundo está se configurando entre 2 grandes blocos internacionais: BRICS e UNIÃO EUROPEIA + NAFTA”?
    Tanto a União Europeia quanto o NAFTA são realidades (assim como o próprio Mercosul). E nem o próprio Donald conseguirá implodir o NAFTA.
    Mas BRICS? Um “bloco internacional”? Ou só mais uma sopa de letrinhas desconexas?
    Além disso a frase faz entender que os dois blocos do norte estão se unindo. De que modo? Com a TTIP sendo completamente enterrada pelos dois lados do Atlântico (e a própria CETA, mais adiantada, mas indo para o mesmo caminho)?
    E quais analistas estão prevendo “a iminente destruição da União Europeia”? A mãe Dinah? Os partidos contrários à UE estão notadamente perdendo terreno na Europa Ocidental depois de uma ascenção nos últimos tempos, demonstrando que não eram uma tendência, mas uma daquelas aventuras efêmeras que aparecem de vez em quando pelo mundo. O BREXIT só aconteceu por um erro de cálculo de um político ambicioso que resolveu blefar. E perdeu. Mas aconteceu, já é fato consumado e agora o trabalhão está nas mãos da burocracia britânica. Está claro que a UE não vai deixar barato, apesar das declarações recentes entre outras da sra. Merkel, e vai fazer do BREXIT um exemplo de como sair da UE é um erro. Que provavelmente não será tão desastroso para o próprio Reino Unido quanto o seria para uma das várias economias “satélites” que já entraram na união.
    Não acredito no “isolamento” do Reino Unido. Vão levar uma gelada relativa da União Europeia, mas é uma economia importante demais para qualquer um poder se permitir isolar. Acordos bilaterais não vão faltar.

    1. Olá Ronnie,
      quis dizer que o NAFTA tem laços estreitos com a UE. Ouviu falar da corrida por ouro feita por Rússia e China? A idéia é a utilização do padrão-ouro para o comércio entre os BRICS, o bloco se fortalecerá muito e representa uma ameaça à hegemonia do dólar. Leia as matérias que saíram no Brasil no período em que essa publicação foi feita, a maioria das reportagens indicavam que muitos outros países também sairiam da UE, que o BREXIT na verdade representava o fim do bloco. Eu fui contrário a isso, e foi mais uma previsão correta desta publicação.

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