Conheça os credores da dívida pública nacional

Na penúltima publicação deste blog, mostrei que a previsão dos gastos com a dívida pública brasileira para 2017 corresponde à 36,6% do orçamento estabelecido pelo congresso, tal publicação pode ser lida clicando no link abaixo:

http://mameconomia.com/2017/05/15/gastos-com-a-divida-publica-correspondem-a-366-do-orcamento-de-2017/

Como dito na publicação, o montante que o governo deve a pessoas físicas brasileiras através do tesouro direto é ínfimo, veja na figura abaixo quais são os maiores credores da dívida pública nacional, que em abril de 2017 correspondia à 3.244,5 bilhões de reais:

Fonte: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/en/a-divida-em-grandes-numeros
  • Fundos de previdência (26,0%): Trata-se de milhões de pessoas físicas através de instituições financeiras, principalmente bancos
  • Fundos de investimento (23,2%): Cotas de fundos disponibilizados no mercado financeiro
  • Instituições financeiras (21,9%): Bancos comerciais são os maiores detentores.
  • Não-residentes (13,6%): Investidores internacionais
  • Outros (5,4%): Aqui inclui-se o tesouro direto
  • Governo (5,3%): Fundos de órgãos públicos nacionais, entre os maiores: FAT, FGTS e SOBERANO
  • Seguradoras (4,5%): Seguradoras financeiras

Esse cenário evidencia o que Karl Marx afirmava ser o capital baseado em juros. A teoria de acumulação financeirizada de François Chesnais aponta que existe um mercado real (composto por empresas produtivas, envolvendo insumos, produção, receita, vendas, etc…) e outro fictício (composto por agentes financeiros, bolsas de valores, fundos de investimento, entre outros, envolvendo especulação, balanços contábeis mascarados, índices financeiros desconexos com a produtividade, etc…). Ainda segundo Chesnais, o mercado de juros possui regras próprias, funciona como o grande articulador de recursos dentro do capitalismo, e a movimentação destes recursos independe do mercado real, ou seja, empresas mais produtivas não necessariamente recebem mais recursos, e nem tampouco empresas que estão produzindo menos deixam de receber grandes fortunas.

A iniciativa defendida por esse blog é que haja um equilíbrio entre os dois maiores agentes na economia (governos e instituições financeiras), um exemplo seria o governo criando leis que exijam padrões contábeis internacionais detalhados para as demonstrações de balanços de empresas na bolsa de valores. Outro exemplo, que já acontece, é a existência do compulsório, o qual limita o poder dos bancos (entenda o que é compulsório clicando aqui). O mais importante é fazermos com que a economia se baseie na produtividade, através de um aprimoramento do sistema capitalista. Quanto mais a economia fictícia se aproximar da economia real, melhor será para toda a população.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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