Deflação prolongada é prejudicial à economia

Sempre ouvimos dizer que níveis altos de inflação são extremamente prejudiciais à economia de um país, e provamos na pele seus efeitos no Brasil no início da década de noventa. De fato, todo país deve manter o controle da inflação para manter sua economia saudável. O que pouco se diz, é que deflação prolongada (por um longo período de tempo), também é muito prejudicial, explicarei os motivos disso aqui.

Como se sabe, a economia é feita de ciclos, e composta de agentes e fatores interligados entre si. É impossível isolar um setor de produção de outro, imaginando que modificações no cenário produtivo de carros não afetaria a indústria de pregos por exemplo. Cabe aos estudiosos de economia observarem os efeitos em mudanças de cenários, e principalmente, identificar as ligações e consequências entre alterações de diversas variáveis e índices.

No caso da deflação prolongada, esta foi observada nos Estados Unidos na grande depressão de 1929, e se tratou de um câncer para a economia americana, isso porque quando um país está em crise, há uma queda de rendimentos de um grande número de famílias, que se tornam mais cautelosas em seus hábitos de consumo. Quando as pessoas estão com menos dinheiro, elas tendem a gastar menos, provocando queda de vendas de diversos produtos, o que faz com que os empresários geralmente optem por diminuírem os preços dos mesmos para conseguirem atender à demanda enfraquecida.

Quando ocorre diminuição de preços na economia, bem como uma diminuição do volume de vendas, a margem de lucro dos empresários diminui, provocando o efeito catastrófico principal da deflação prolongada, que é a diminuição da atividade econômica.

Diminuição da atividade econômica nada mais é do que queda na produtividade, não se fabrica mais tantos produtos porque o cenário de crise provoca um aumento dos riscos de possíveis inovações, projetos e investimentos. Se as empresas estiverem produzindo menos, não se faz necessário manter a mesma quantidade de funcionários, gerando desemprego e reiniciando o ciclo de diminuição do poder aquisitivo da população.

Trata-se então,  de um ciclo que se perpetua prolongadamente, com um efeito em cascata representado por: queda de poder aquisitivo da população, diminuição das vendas, queda da margem de lucro dos empresários, redução dos investimentos e da produtividade, aumento do desemprego e novamente queda de poder aquisitivo da população.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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