Entenda os prejuízos gerados pelo BNDES com a JBS

Quando se pensa que o governo está concedendo empréstimos à cerca de 5 porcento ao ano, chegamos ao conhecimento de que a federação está na verdade subsidiando determinada atividade econômica, pois o próprio governo federal contrai empréstimos com rentabilidades próximas da taxa SELIC, através de títulos públicos.

Basicamente, enquanto o governo emprestava dinheiro à juros próximos de 5 porcento ao ano à JBS através do BNDES, este pegava emprestado à cerca de 14 porcento ao ano (taxa selic há pouco mais de 1 ano atrás), e a diferença era paga pela população com impostos.

Diferentes cenários demandam análises de teorias que fundamentam a história do pensamento econômico, por isso é muito importante que um estudioso de economia se ocupe primeiramente em pensar sobre qual deve ser o nível de intervenção do Estado na economia, para depois julgar se o governo deveria subsidiar determinados setores.

Esquerdistas poderiam dizer: ao subsidiar a JBS, o governo estava gerando maior receita através de impostos com o aumento de faturamento da empresa, além de gerar mais empregos, compensando assim os custos dos empréstimos realizados. A verdade é que numericamente, na ponta do lápis, isso não é verdade.

Eu, particularmente, penso de maneira completamente diferente. Sigo uma orientação de direita, no sentido de que acredito que o mercado é muito mais eficiente para alocar recursos em negócios rentáveis do que o governo. Se a JBS julgar que precisa de mais capital, esta poderia ofertar ações em bolsas de valores, ou se os investidores confiarem que a empresa merece maiores investimentos, preços de ações elevados fariam com que os custos de financimentos (empréstimos) junto a bancos se tornassem menores.

Ao olhar atento, o que aconteceu nessa associação entre governo, na figura do BNDES, com a JBS, segundo o próprio dono da empresa, foi a concessão de recursos através de corrupção. O Estado é um agente que está sempre vulnerável à atividades corruptas porque possui propriedade dispersa, ou seja, todo mundo é proprietário deste, mas na prática ele não é de ninguém. Esse conceito é justamente o que me leva a pensar que o governo deve intervir em pouquíssimas atividades na economia, sendo um deles a saúde, pois nem mesmo os Estados Unidos conseguiram tornar negócios relacionados a esse setor humanizantes e rentáveis ao mesmo tempo.

Uma coisa é certa, o mercado de pecuária no Brasil não depende de investimentos do governo, este é rentável por si mesmo até o ponto onde o mercado estabelecer que é lucrativo, assim como muitos setores que o país subsidia através do BNDES. Se determinada atividade não é rentável, isso por si só é um indicativo de que não satisfaz necessidades da população na medida de que pessoas não estão dispostas à dispendiar recursos nestes.

É importantíssimo que o governo corte uma quantia enorme de recursos disponibilizados através do BNDES, não me soa absurdo pensar, inclusive, que a extinção do BNDES beneficiaria muito mais ã população do que a sua existência.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin e Viapol. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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