Impactos do aumento dos juros americanos na economia brasileira

Com a estabilidade econômica nos Estados Unidos, a intenção de controle de inflação, e a pressão dos bancos, o FED (Banco central americano), vem aumentando taxas de juros de forma expressiva, e a previsão é que mantenha essa política de aumento por um tempo considerável.

Quando os EUA aumentam a taxa de juros, há uma fuga de capitais de outros países pois os títulos americanos se tornam mais atrativos, e por se tratar da maior potência armamentista, da democracia mais consolidada e do maior PIB do mundo, esses títulos são os mais seguros do planeta. Isso explica a sensibilidade dos investidores para com os títulos americanos, qualquer aumento em taxas, mesmo que pequeno, atrai grandes investimentos para o mercado de juros americano pois o custo do capital próprio aumenta. O custo do capital próprio é o valor do investimento em um ativo considerado livre de risco, um conceito utilizado em uma ferramenta financeira chamada Wacc (Custo médio ponderado do capital), a próxima publicação deste blog será usada exclusivamente para explicar essa ferramenta.

Basicamente, muito investidores cautelosos optam por se tornarem credores da dívida pública americana quando a diferença entre a taxa que eles receberiam do governo americano e a taxa que receberiam de outros governos diminui. E é justamente aí que outros bancos centrais começam também a aumentar suas taxas de juros.

Como os títulos americanos são vendidos em dólar, os investidores internacionais que aplicavam em títulos públicos ou títulos bancários no Brasil por exemplo, passam a vender reais para comprar dólares, para assim poderem comprar os títulos dos Estados Unidos. Com a diminuição do valor do real, há aumento de inflação na economia brasileira, expliquei a relação entre câmbio e inflação na publicação: “Relação entre câmbio e inflação: como atrair capital estrangeiro?”

Para evitar a desvalorização do real, o Banco Central do Brasil colocou à venda 20 bilhões de dólares no mercado de câmbio, aumentando assim a oferta de dólares e reduzindo seu preço em relação ao real, uma questão simples de oferta e demanda. Essa medida gera dispêndios consideráveis à economia brasileira, que se vê encurralada diante dos riscos de inflação.

A outra medida natural será o aumento da taxa Selic nas próximas reuniões do Copom, o que embora colabore para conter inflação atraindo investimentos para o mercado de juros no Brasil, retirará investimentos da economia real brasileira e da BOVESPA, o que indica um cenário de grandes incertezas para o país em curto e médio prazo.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin, Viapol , Roche e ACG Capsules. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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