CAPM (Modelo de Precificação de Ativos Financeiros) e as quedas recentes no IBovespa

Na publicação anterior, citei o Custo Médio Ponderado do Capital – Wacc (Weighted Average Cost of Capital), como uma ferramenta utilizada por investidores em suas tomadas de decisões de investimento mostrando como o fluxo de capitais na economia global é afetado pelo aumento dos juros estipulado pelo Banco Central Americano (FED).

Nesta publicação, explanarei sobre o Modelo de Precificação de Ativos Financeiros – CAPM (Capital Asset Pricing Model), uma teoria constantemente utilizada por diretores financeiros de empresas de porte gigantesco, bem como por fundos de investimento, fundos de pensão e grandes investidores, deixando o Wacc para a próxima publicação, acreditando que a compreensão do CAPM deva ser anterior à do Wacc.

Antes de realizarem investimentos, agentes financeiros tentam definir a rentabilidade esperada dos ativos que estão adquirindo, levando em consideração os riscos inerentes aos mercados que estão buscando atingir, os riscos considerados sistêmicos, ou seja, que afetam todo o sistema financeiro internacional, bem como estando atentos aos investimentos que são considerados livres de risco, cujo maior exemplo são os títulos públicos americanos. Nenhuma injeção de capital é completamente livre de risco, mas diante da enorme segurança que alguns títulos fornecem, estes são denominados por essa expressão.

A questão é bem simples na cabeça dos investidores, eles só estão dispostos a se arriscarem mais, se a expectativa de lucro for maior em relação aos investimentos de risco menor, e assim, utilizando-se da ferramenta CAPM, fazem o seguinte cálculo:

,

O excesso de retorno do mercado é efetivamente o prêmio de risco de mercado. Rearranjando a equação anterior e isolando, obtém-se a equação do modelo:

Onde:

  • é o retorno esperado do ativo
  •  é a taxa de juros livre de riscos
  •  é o coeficiente beta
  •  é o retorno esperado do mercado
  •  é por vezes chamado de prêmio de mercado ou prêmio de risco, e representa a diferença entre a taxa de retorno esperada do mercado e a taxa de retorno livre de riscos.

O coeficiente Beta significa a sensibilidade de um ativo referente às variações de mercado, ou seja, se houver uma queda ou aumento financeiro sistêmico na economia, como isso afetaria o ativo sendo avaliado. Se quando o índice sobe 3%, uma ação sobe 3%, o beta é 1, pois a relação de aumento entre o índice e a ação é de 1 para 1.

O conteúdo mais importante desta publicação, o qual eu gostaria que o leitor digerisse completamente, é que quando o Banco Central Americano aumenta sua taxa de juros, ele faz com que investidores só aloquem seus capitais em títulos e países que gerariam rendimentos bem maiores do que os pagos pelos títulos americanos, afinal, para que se invista em algo de maior risco, deve-se ter uma expectativa de maior retorno. Daí justifica-se as quedas consideráveis recentes do índice Bovespa.

Mestre em Economia e Doutorando em Administração pela California International Business University. Atuou no mercado de capitais e derivativos entre 2004 e 2011 e como consultor nas áreas de Controladoria e Finanças do software de gestão SAP desde 2011 nas empresas: Applied Materials, Costco Wholesale, Anglo Gold Ashanti, Grupo Ferroeste, Tambasa, Usiminas, Eletropaulo, Celpa, Cemar, BRF, Leroy Merlin, Viapol , Roche e ACG Capsules. Curta a página MAM Economia no Facebook clicando na respectiva figura no menu direito da tela.

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